C02: Programas e Sites de conversação – Precauções a ter

Bom dia a todos,

Em primeiro lugar, quero desejar a todos os ouvintes um excelente 2007 e que a passagem de ano tenham servido para carregar baterias para o novo ano que agora começa.

Neste fim-de-semana quase toda a gente recorreu a alguns dos serviços de comunicação mais modernos para mandar mensagens e felicitações pela chegada de mais um ano.

A verdade é que a comunicação entre as pessoas tem-se alterado em muito graças aos avanços tecnológicos, em especial com o aparecimento e massificação dos telemóveis, do correio electrónico e dos programas e serviços de conversação pela Internet.

A qualquer hora e em qualquer local, as pessoas podem ser contactadas, desde que tenham um telemóvel ou computador com acesso à Internet. O poder da ubiquidade passou a ser uma constante da vida.

Na Internet existem vários programas ou sites onde qualquer um pode conversar em tempo real com o mais variado tipo de pessoas ou dar-se a conhecer a todos os utilizadores desse programa ou site.

A massificação deste género de programas deu-se com os famosos chats, programas com salas de conversação por temas ou interesses e onde todos podiam falar com todos, de uma forma anónima, utilizando alcunhas / nicknames.

Depois, surgiram programas de troca de mensagens. Nesses programas somos nós que definimos quem está na nossa lista de contactos e, em qualquer momento, sabemos quem está ou não ligado ao programa. A evolução desses programas permite que hoje, para além das funções clássicas, também seja possível trocar ficheiros, conversar com voz e ver imagens dos nossos contactos em tempo real através de uma câmara. O primeiro programa mais popular foi o ICQ e hoje é o Messenger.

A nova geração de serviços de comunicação massiva vai um pouco mais longe.

Estes serviços ou sites permitem registar um vasto conjunto de dados pessoais, fotos, adicionar os nossos amigos e saber quais são os amigos que esses amigos têm. É ainda possível pesquisar o perfil de todas as pessoas que estão registadas no site, sejam elas de Portugal, do Brasil ou de Inglaterra. Só é preciso que elas aceitem o nosso pedido de registo. O programa mais popular neste género é o Hi5.

Quem já utilizou estes programas ou serviços sabe que são formas muito baratas e úteis de comunicar, seja por necessidades em termos profissionais, pessoais ou até académicas.

Ao contrário dos jovens, que conhecem estes programas e usam-nos, a maioria dos pais certamente desconhece a existência destes programas ou serviços. A crónica de hoje centra-se nesse problema, que nos parece ser importante, e que, a título de exemplo, já levou a Associação de Pais do Externato João Alberto Faria (Arruda dos Vinhos) a realizar um debate sobre o tema, com a presença de inúmeros pais.

A quase totalidade de programas e serviços são excelentes veículos de comunicação e a sua utilização permite-nos conhecer pessoas muito interessantes, de culturas e línguas diferentes, de qualquer canto do mundo. Os jovens conhecem estas vantagens, mas por vezes desconhecem que importa ter alguns cuidados para evitar certo tipo de problemas.

Nestes programas é muito fácil iludir quem somos na realidade. Quem está do outro lado não nos vê e por isso podemos dizer que somos uma mulher sendo homem, que temos 15 anos tendo 50, que temos olhos azuis e cabelo louro, quando temos tudo menos isso.

Por outro lado, expor demasiados dados privados em sites públicos pode trazer grandes transtornos.

Se usarmos fotos pessoais, qualquer pessoa pode copiar essas fotos e fazer delas o que bem entender;

Nos últimos anos já foi possível ler, ouvir e ver algumas chamadas de atenção importantes sobre a utilização destes programas por parte dos jovens.

Em situações mais extremas, alguns saíram de casa para se encontrarem com pessoas que conheceram através da Internet e depois tiveram problemas em regressar a casa, quando se aperceberam que tinham errado ou que a realidade da Internet era totalmente virtual.

Este conjunto de informações pretendem alertar e despertar muitos pais para uma nova realidade, que é incontornável. Os filhos usam esses programas, seja na escola, nas bibliotecas, espaços públicos ou em casa.

Por isso, importa ter uma maior informação sobre esses programas e tentar saber junto dos filhos se os usam.

Sem grandes dramas ou pressões, peçam aos vossos filhos para mostrar esses programa ou sites onde têm registado os seus perfis, tentem saber que tipo de dados pessoais disponibilizam, com quem falam e de onde conheceram as pessoas com quem falam.

Muitas vezes, os jovens não percebem o mal que pode advir do facto de se exporem em demasia e, por isso, o acompanhamento dos pais é importante. É importante fazê-los pensar que nem todos os comportamentos são correctos, já que podem ter problemas desnecessários, seja porque divulgaram contactos pessoais a uma pessoa que julgavam conhecer bem ou porque deixaram imagens ou vídeos num site.

Quando usadas correctamente, estas ferramentas são, como já se disse, excelentes veículos de comunicação. Se as experimentar vai ver que vai gostar e tal como os seus filhos também passará a ser um fã das mesmas. Os amigos e a família ficam mais perto, mesmo que estejam do outro lado do mundo.

E por hoje terminamos a nossa rubrica.

Resta-me agradecer a atenção de todos e renovar os votos de um excelente ano de 2007.