C30: Solidariedade entre gerações

Há uns dias ficámos a saber que a pessoa mais velha do mundo a escrever num blog é Espanhola e tem 90 anos de idade. Os textos do blog relatam a vida de uma pequena aldeia espanhola e retratam e relembram como era a vida no antigamente por aqueles lados. E como é que esta senhora de 90 anos insere os textos no seu blog? Conta com a ajuda de um neto, que insere os textos à medida que a sua avó relata as suas histórias e o seu dia-a-dia.

Esta simples história, que certamente terá muitas outras semelhantes pelo mundo fora, trouxe-me à memória o jantar convívio da Rádio Vida com os seus ouvintes. Um jantar que juntou diferentes gerações, experiências de vida, uma mais felizes do que outras, certamente.

Durante o jantar falou-se muito em solidariedade entre gerações e como muitas vezes escondemos e esquecemos as coisas mais velhas só porque existe uma ânsia de mostrar coisas novas, que por serem novas não são necessariamente melhores do que as antigas. Falor do passado em Portugal é recordar, quase sempre, tempos difíceis para milhares de Portugueses, ou porque existia ditadura, falta de liberdade, fome, miséria. Não existiam alternativas a não ser fugir para os quatro cantos do mundo à procura de melhor vida, num tempo em que as facilidades de transporte e comunicações eram o que eram.

Hoje, muitos vivem tempos difíceis, porque não conseguem pagar o carro topo de gama, as férias ou a roupa nova que se comprou e até podemos não trabalhar porque existe um subsídio de desemprego.

No mundo das novas tecnologias é claro que o passado e o presente têm pouco em comum e o futuro é tão incerto que nem os maiores gurus na matéria conseguem dizer para onde vamos. É esta a realidade que temos e pouco ou nada podemos fazer para travar o ímpeto de desenvolvimento existente. Ou corremos para apanhar o comboio ou passaremos a vida a vê-lo passar, cada vez mais rápido e menos simpático para quem teimar em não querer comprar o bilhete.

No entanto, nas novas tecnologias de comunicação e informação há um objectivo sempre presente na mente dos criadores: tornar o seu uso o mais simples possível, ao alcance de todos, independentemente dos rendimentos, da formação individual, do sítio onde se vive ou até da idade.

Para as pessoas mais velhas os computadores parecem sempre um bicho de 7 cabeças. Muitas da escola apenas aprenderam a escrever o nome. A vida obrigava a outras necessidades. Estudar era quase um luxo.

È por isso que as novas gerações têm a obrigação e o dever de partilhar com os avós e pais o que as novas tecnologias têm de bom e positivo e, quem sabe, fazer como o neto e avó espanhola, que criaram um blog para contar histórias de outros tempos.

Se o fizermos estamos a contribuir para que as pessoas mais velhas se sintam menos isoladas e assustadas com o presente e com o futuro.

Independentemente da idade de cada um, o futuro pertence a todos.

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