BdP: Portugal regista excedente comercial este ano

O Banco de Portugal espera que, este ano, o saldo entre compras e vendas de mercados e serviços ao exterior permita financiar a economia portuguesa em 0,4% do PIB, um valor que subirá para 2,5% em 2013. Este contributo explica que no próximo ano, o saldo externo global chegue também a terreno positivo, um facto inédito pelo menos em democracia. A balança corrente e de capital registará um excedente de 0,8% do PIB.

Segundo a base de dados da Pordata, pelo menos desde 1996 que Portugal não regista um excedente comercial, ou seja, que as exportações superem o valor das importações.

“A evolução projectada para as componentes da procura agregada implica uma redução substancial das necessidades de financiamento externo da economia portuguesa, medidas pelo saldo da balança corrente e de capital, o qual deverá tornar-se positivo em 2013”, lê-se no boletim económico do Banco de Portugal, onde se sublinha a relevância deste indicador: “Esta evolução é fundamental para assegurar o regresso da posição de investimento internacional a uma trajectória sustentável, assegurando condições de solvabilidade intertemporal da dívida externa”.

Concorrem para este efeito a depressão da procura interna e logo das importações, mas também um desempenho positivo das vendas ao exterior. O BdP sublinha que as empresas portuguesas estão a reagir à queda da procura interna com um esforço adicional na frente externa: “A informação disponível aponta para ganhos de quota no período mais recente atribuíveis, inter alia, a um esforço acrescido de procura de novos mercados por parte das empresas portuguesas de bens transaccionáveis, num quadro em que o ajustamento da procura interna é percebido pelos agentes residentes como permanente”, escreve o BdP que acrescenta: “Neste contexto, admite-se que este padrão tem ainda margem para um aprofundamento adicional, pelo que a actual projecção tem implícitos ganhos adicionais de quota de mercado das exportações portuguesas em 2012 e 2013”.

As compras ao exterior também ajudam: “as importações de bens e serviços registaram uma queda em termos homólogos num contexto em que as empresas deverão ter continuado a ajustar as existências para níveis mais compatíveis com a procura esperada”, interpreta o Banco de Portugal. Depois de uma queda de 5,2% no ano passado, o BdP espera que as importações recuem 6,2% este ano, voltando a terreno positivo em 2013.

O INE revelou hoje que as exportações portuguesas aumentaram 6,5% no trimestre terminado em Maio, período em que as importações baixaram 9,5%, o que permitiu uma melhoria da taxa de cobertura para 80,7%.

Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=567283

Aldeias Globais

No mundo de hoje todas as empresas já foram afectadas, directamente ou indirectamente, pela globalização. A cada dia que passa, a “aldeia global” torna-se mais pequena. Essa realidade é desagradável para quem deseja estar isolado, mas nas aldeias, quer se queira ou não, ninguém vive sozinho. Todos influenciam todos. 

Para os solitários estar numa aldeia é demasiada exposição, mas para as empresas viver nesse ambiente amplifica de uma forma extraordinária as oportunidades de negócio. Utilizando as ferramentas que as novas tecnologias de informação e comunicação oferecem, o mercado potencial aumenta e as distâncias tornam-se quase irrelevantes. 

Portugal em muitas actividades sempre teve um problema de escala. Na aldeia global, o mercado não tem limites. Existem produtos e serviços, e existem clientes nos quatro cantos do mundo, individuais ou empresas, à procura de satisfazer as suas necessidades. 

Por outro lado, a dimensão de uma empresa também deixou de ser uma condicionante e procurar parcerias tornou-se uma constante da vida. 

São cada vez mais os exemplos que mostram que o mundo está a mudar e que os pequenos também podem ser grandes, com perseverança, criatividade e assegurando uma qualidade de serviço elevada. 

Sítios de leilões na Internet mostram que existem nichos de mercado que podem ser preenchidos com produtos específicos e que asseguram a médio prazo rendimentos que permitem gerir um negócio a partir de casa, por exemplo. O produto pode vir do estrangeiro, o marketing é feito a partir de Portugal e a encomenda é enviada para qualquer canto do mundo. 

Como em qualquer negócio, um estudo de mercado recomenda-se, mas o investimento para entrar em “jogo” é quase nulo. Todos os “jogadores” e informações estão na internet. Actualmente, uma simples e pequena loja de aldeia pode tornar-se global vendendo através da Internet, inovando nos produtos que oferece aos clientes. Há muita gente na Internet a ganhar a vida a vender sabonetes, bonecas de pano, sacos de lona reciclados ou roupa para criança. A receita é “simples”: Produtos específicos, orientados para nichos de mercado, vendidos à escala global, usando as plataformas de transporte e pagamento existentes no mercado e aceites por todos. É óbvio que a internet não cria excentricos todos os dias. Fazer negócios pela internet exige trabalho, pesquisa e paciência, tal como qualquer forma de negócio. No entanto, abre portas e tem potencialidades que vão muito para além do comércio tradicional. No saber aproveitar, pode estar um verdadeiro ganho.

A revolução está em marcha

O recente encerramento de mais fábricas no norte do país vem pôr a nu uma realidade que, estando longe de ser uma novidade, continua a ser discutida com base no passado e não olhando para o futuro.


As empresas são, cada vez mais, apátridas. São criadas e existem, em primeiro lugar, para dar lucro aos seus accionistas ou sócios (veja-se o que se tem passado na PT). Os gestores olham para o lado da despesa (recursos humanos, por exemplo) como custo, e cortam, sempre que possível, todos os custos que considerem desnecessários. Se não o fizerem outros o farão. A cabeça deles está sempre em cheque.


O mundo dos negócios está a alterar-se a uma velocidade nunca observada. A globalização, os mercados ditos emergentes, o avanço tecnológico, os problemas ambientais e energéticos estão a mudar o nosso planeta e a nossa sociedade de forma irreversível. Vivemos uma era fantástica e, ao mesmo tempo, assustadora.

Os grupos económicos movem-se à procura de países com condições de investimento e fiscais favoráveis, com trabalhadores qualificados e de baixa remuneração, com sistemas políticos estáveis (sejam democracias ou ditaduras) e com baixas exigências ambientais ou laborais.Este não é o mundo que sonhámos, mas é o mundo que se vai construindo diariamente.


Os estados europeus começam a quebrar os compromissos sociais de décadas, para dar resposta aos novos problemas (menos emprego, menos jovens e aumento da esperança média de vida). As pessoas revoltam-se, esquecendo-se que são cidadãos por direito e, por isso, são elas que mandam.


O emprego para toda a vida acabou. Aos trabalhadores pede-se flexibilidade, disponibilidade para trabalhar mais por menos e uma permanente actualização individual. A luta por trabalho será uma constante.

Nos próximos tempos, mais trabalhadores em Portugal ficarão sem emprego, em regiões onde encontrar emprego é tarefa difícil. A nossa economia tenta recuperar da inércia ganha ao longo dos anos, correndo, ao mesmo tempo, para apanhar o comboio da globalização.Os mais jovens terão de se preparar para os tempos que se aproximam. Ter um emprego ou uma empresa vai exigir um espírito empreendedor, um investimento contínuo em formação pessoal/profissional, uma rede de contactos, uma permanente leitura do mundo e uma capacidade de antecipar e avaliar tendências e respostas.Nada será como no passado. A revolução vem a caminho e quem não quiser lutar terá uma batalha ainda mais dura pela frente.